Como pai, ainda não consegui definir como proceder em certas
situações. Eu tinha um plano, estava, à meu modo, tocando ele. Repentinamente a
Lara nasceu, pequena, gordinha, o ser mais perfeito que há no mundo. E ela é
minha. É fruto meu e da Verônica.
Como pai, ainda não consegui reorganizar meus projetos e
aspirações. O meu tempo está distorcido e os dias já são diferentes de antes. É
como se o tempo começasse a passar num outro ritmo. Não há mais ansiedade ou
aquela sensação de ausência. A Lara preencheu esse espaço.
Me perdi completamente no domínio sobre o cigarro e na
vontade de comer besteiras. Me perdi no tempo, pois não consigo mais alocar as
demandas que tenho no tempo que disponho. O tempo, sempre o tempo. Sempre, em
minhas análises, o tempo é uma variável que pesa absurdamente. Essa coisa toda
me deixa perplexo.
Preciso reorganizar as prioridades secundárias, pois a
primária é óbvia: é a minha estrelinha.
Dormir, alimentação regrada, planejada, fumar o menos
possível, rolês de skate semanais, malhar pela manhã, focar na faculdade,
futebol semana sim, semana não.
Preciso dar atenção pra mãe e pra vó. Preciso dormir e me
alimentar corretamente. Preciso praticar exercícios.
Preciso comprar um microondas, uma televisão, seis cadeiras,
colocar o motor automático no portão, comprar um transformador pra devolver pro
Tio André.
Preciso regular as válvulas do carro e ver como está a
correia dentada. Preciso lavá-lo quinzenalmente. Preciso manter as prestações
em dia.
Preciso contratar a Sky e colocar logo essa internet em
casa.
Preciso comprar um desktop pra ter em casa. `
Preciso colocar as empresas do Tandy e do Phil em dia.
Preciso agilizar a papelada do Celmar e conseguir mais uns cinco clientes dessa
faixa de honorários.
Preciso lembrar de tudo isso diariamente e manter o controle
do que está resolvido e do que está pendente.
Preciso ser um homem e entender que agora a vida é assim.
Preciso ser o pai que a Lara merece.
Preciso ser o cara que do qual sentiria orgulho e admiraria!